28 janeiro 2014

O Príncipe serpente


Um dos contos de fadas pouco conhecido que eu amo é o Príncipe Serpente. Sempre achei ele super diferente e bem romântico... Não sei porque ele é tão pouco divulgado, mas de qualquer jeito trouxe para vocês conhecerem e se encantarem!



Numa cidade da longinqua Índia morava há muitos e muitos anos uma velha tão pobre que um dia se viu sem outra coisa para comer além de um pouco de farinha. “Vou até o rio buscar um pouco de água para tentar fazer um pão”, ela decidiu, levando consigo um pote coberto com um pano.

Quando chegou à beira do rio, estava tão acalorada que resolveu tomar um banho. Ao sair da água, descobriu o pote, que havia deixado na relva da margem, e se deparou com uma serpente venenosa, enrolada como uma reluzente, com a lingua de fora. “É melhor morrer de picada de cobra que de fome”, falou calmamente. “Vou levá-la para minha casa e dar fim a meus sofrimentos”.

No entanto, ao despejar o conteúdo do pote, viu cair no chão um colar de ouro e esmeraldas. Sem pensar duas vezes, foi até o palácio e entregou a preciosa jóia ao raja, que a recompensou com dinheiro suficiente para ela viver com todo o conforto até o fim de seus dias.

Pouco tempo depois um soberano vizinho convidou o raja para a grande festa com que ia celebrar o nascimento de sua filha. “É uma oportunidade para usar aquele colar”, disse ela para a rani, sua esposa. A mulher concordou, mas, quando abriu sua caixa de jóias, encontrou um bebê rechonchudo. Como não tinha filhos, tomou-o nos braços, chorando de alegria, e declarou: “Você é muito mais precioso que todos os colares do mundo!”

No mesmo dia o raja comunicou ao soberano vizinho que não poderia ir à festa porque também precisava comemorar o nascimento de seu filho. “Proponho que nossas crianças se casem no devido tempo”, acrescentou no final da mensagem, e o vizinho concordou.

Dezoito anos mais tarde realizou-se o casamento dos jovens príncipes. Contudo, os pais da noiva estavam preocupados, pois ouviram boatos alarmantes sobre a verdadeira origem de seu genro. Decididos a esclarecer a situação, instruiram a filha para que não falasse com o rapaz a partir do momento em que se visse a sós com ele. “O príncipe há de querer saber qual e o problema”, a rani explicou. “Então, responda que só voltara a lhe dirigir a palavra quando conhecer o segredo de seu nascimento”.

A moça seguiu às instruções, mas ele não lhe contou nada. “Se eu o fizesse, você se lamentaria pelo resto da vida”, afirmou.

Assim, os dias que se sucederam transcorreram no mais completo silêncio. Até que o principe não suportou mais a situação. “À meia-noite eu lhe contarei o que você deseja saber”, anunciou. “Mas repito que ira se lamentar”.

À meia-noite em ponto ele conduziu a esposa até a margem do rio onde a pobre velha depositara seu pote e perguntou: “Você faz mesmo questao absoluta de conhecer meu segredo?”.
“Sim”, a moça respondeu, sem hesitar.
“Pois bem ... Sou o filho do rei de uma terra distante, que um forte encantamento transformou em serp ...”

Mal começou a pronunciar a palavra fatal, o principe voltou a ser uma serpente e deslizou relva até mergulhar na água escura e desaparecer.

Sozinha na margem, observando a luz da lua as suaves ondulações provocadas pelo movimento da serpente que se afastava, a princesa se abandonou ao desespero. Gritou, chorou, rasgou as belas vestes. Por fim, exausta, voltou para o palácio e ordenou aos criados que construissem uma pequena casa na beira do rio. Quando a casa ficou pronta, mudou-se para lá, decidida a lastimar sua terrivel perda até o fim da vida.

Muito tempo depois acordou, certa manhã, e viu um rastro de lama no tapete do quarto. Interrogou os guardas, mas eles juraram que ninguém entrara ali. Na manhã seguinte a cena se repetiu. E na terceira noite a princesa resolveu elucidar o mistério. Com uma faca cortou a mão e esfregou sal no ferimento, para que a dor a impedisse de dormir.

À meia-noite uma serpente entrou no quarto, ergueu a cabeça até sua cama e a fitou. “Quem é você? O que quer?”, a jovem perguntou, trêmula de medo.

“Sou seu marido”, a serpente respondeu, acrescentando: “Eu não avisei que você se lamentaria para o resto da vida, quando conhecesse meu segredo?”.

“E como me lamento!”, ela falou, entre soluços amargos. “Não existe nada que eu possa fazer para reparar meu erro?”

“Existe, mas é algo muito perigoso”.

“Estou disposta a correr todos os riscos!”, a princesa declarou.

“Amanhã à noite, coloque uma tigela de leite com açúcar em cada canto deste quarto. Todas as serpentes do rio virão romá-lo, tendo a frente sua rainha. Não as deixe entrar. Ponha-se na porta e diga: ‘Rainha das serpentes, devolva-me meu esposo!’. Se não tiver medo, você me libertará. Caso contrário, nunca mais me verá!”

A jovem pôs as tigelas nos quatro cantos do quarto e aguardou. À meia-noite escutou um sibilo e viu as serpentes saindo da água e se aproximando de sua casa. A frente do estranho cortejo rastejava uma criatura enorme, de escama reluzentes.

Os guardas fugiram, apavorados, mas a princesa se manteve firme no umbral da porta. “Rainha das serpentes, devolva-me meu esposo!”, pediu. Os répteis se contorceram, como se dissessem “Essspossso! Essspossso!”.

A rainha balançou a cabeçorra, de um lado para o outro, fitando a princesa com olhos perversos. Sem se acovardar, a jovem repetiu: “Rainha das serpentes, devolva-me meu esposo!”.

“Amanhã!”, a criatura respondeu. “Amanhã!”.

Então a moça se afastou e deixou o estranho cortejo passar. As serpentes tomaram todo o leite e foram embora, satisfeitas.

Na manhã seguinte a princesa vestiu seu sári mais bonito, enfeitou a casa com uma profusão de flores e esperou. À meia-noite o príncipe chegou, com sua bela forma humana, e a tomou nos braços. Nunca mais houve segredos entre eles.


2 comentários :

  1. Nossas que história bonita!Nunca tinha ouvido falar, muito legal!
    http://surejustnot.blogspot.com.br/

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  2. Não conhecia esse conto, achei muito legal!
    Beijo, Champagne Supernova

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