20 janeiro 2014

Semana 2 de 6: Um conto de fadas que eu gosto.


Escolhi para essa semana um conto de fadas que eu gosto bastante e que li quando era pequena. Espero que gostem tanto quanto eu! < 3

                                                          O diabo dá, o diabo leva

Um velho Capitão saiu certa vez para o alto-mar, e uma baleia desastrada lhe espatifou o barco. Agarrando-se a uma tábua, ele conseguiu se manter à tona até que a baleia, arrependida, reapareceu e o carregou para a praia. Ao pisar em terra firme, o pobre náufrago se deparou com uma gaivota que perdera o rumo; pegou-a com todo o cuidado e a abrigou em seu pulôver.

Um lavrador que passava por ali o viu tititando de frio e lhe disse: “Vá até minha casa, amigo! Minha mulher lhe dará alguma coisa para comer e o deixara secar-se ao pé do fogo!”.

O marinheiro lhe agradeceu a gentileza e tocou para sua casa. A mulher do lavrador estava recebendo a visita do vigário e não ficou nem um pouco contente com a chegada inoportuna daquele lobo-do-mar; mesmo assim, como seu marido o mandara, deixou-o entrar. “Não tenho nada para comer”, informou, amuada, “mas pode ir secar a roupa lá no sótão”.

O velho subiu e ia tirar o pulôver molhado quando percebeu uma fresta no chão. Espiou, curioso, e viu a dona da casa colocar sobre a mesa uma travessa de carne assada e três garrafas de vinho.

“Meu marido pode passar muito bem com pão e água, mas o senhor merece o que tenho de melhor”, disse ela ao vigário. Nesse momento o lavrador abriu a porta da cozinha. Mais que depressa, a mulher escondeu a carne na despensa, o vinho no armário e o pároco no baú. “Onde está o velho capitão?”, o recém-chegado quis saber e, ao ser informado que estava no sótão, chamou-o: “Desça, amigo!”.

O marujo obedeceu sem demora e, assim que entrou na cozinha, beliscou a gaivota escondida no pulôver, fazendo-a gritar.

“Que barulho e esse?”, o lavrador perguntou, intrigado.

“É minha gaivota, que tem o dom da adivinhação”, foi a resposta. “Ela está informando que há carne assada na despensa”.

“Imagine!”, exclamou o dono da casa. “Faz anos que não como carne assada!”.

O capitão tornou a beliscar a gaivota, que novamente gritou.

“O que é que ela está dizendo agora?”, o lavrador quis saber.

“Que há três garrafas de vinho no armário”.

“Imagine … Não tomo vinho há tanto tempo que nem lembro que gusto tem …”, o dono da casa suspirou, mas, começando a acreditar no suposto poder da gaivota, abriu o armário e, para seu grande espanto, constatou a presença das três garrafas.

“D-d-de onde t-t-terão saido?”, a mulher gaguejou, toda nervosa.

“Não sei, não, mas acho que a gaivota as colocou ai …”, o lavrador falou, voltando-se em seguida para o velho lobo-do-mar: “Quanto quer por essa ave prodigiosa?”

O capitão pensou um pouco e estipulou seu preço: “Um cavalo, uma carroça e aquele baú”.

Fechado o negóciol, o marinheiro partiu. Ao passer pelo porto, falou: “Esse baú não tem nenhuma serventia para mim. Acho que vou jogá-lo no mar”. Ouvindo isso, o vigário se pôs a gemer em seu incômodo esconderijo. “E ainda por cima faz um barulho danado … Vou jogá-lo no mar agora mesmo!”

“Nao, por favor!”, o pároco gritou a plenos pulmões. “Tire-me daqui e lhe encherei este baú de dinheiro!”.

O velho marinheiro libertou o vigário, recebeu uma pequena fortuna e decidiu comprar um barco novo, Antes, porém, parou numa taberna, a fim de tomar um trago para comemorar Boa Sorte.

Um trago puxa outro, e uma semana depois o marujo não tinha um centavo sequer. “O diabo dá, o diabo leva”, suspirou, conformado.

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