20 maio 2014

Circo da Morte


Antes de mais nada, gostaria de dizer que há tempos não escrevo. Fiz essa historia agora a pouco, e completei-a em uns 30 minutos. Ok, ela não deve ser muito criativa haha. Mas queria muito compartilhar com vocês, porque estou com vontade de voltar á escrever histórias, e quem sabe esse seja meu primeiro passo?

Antes de começar a história, gostaria que abrissem suas mentes e se deixassem viajar. Vamos lá? ♥



Circo da Morte
Ato I: Impressões,

Meu vestido era longo, branco (igual á minha máscara...). Havia brilho por toda parte. Penas de gansos nas alças dos ombros. Meu cabelo castanho escuro ondulado estava preso pela metade e tudo que eu carregava nas mãos era uma taça de vinho tinto.
Todos dançavam animadamente, rindo... E eu estava lá, jogada num canto do salão. Tudo estava perfeito, os lustres de cristal dominavam o teto do salão, em todo seu esplendor e riqueza. Quando paro para pensar, me sinto privilegiada... Estou entrando na sociedade londrina, finalmente! E ainda mais para uma jovem de 15 anos, isto é muito, muito importante. Quantas moças de classe alta podem dizer que estiveram presentes na festa mais importante do país com apenas 15 anos? 15 anos! Eu serei uma lenda, e terei a chance de encontrar o amor da minha vida antes de minhas amigas...
Meu Deus, minhas mãos tremem! Estou nervosa. Não sei com quem devo falar primeiro... Ou se devo me apresentar. Será que deveria me dispor á dançar? Ou deveria me sentar-me à mesa de doces e esperar por companhia? Céus estou pouco treinada. Não tive tempo de pensar em que posição tomar... A de moça arrogante ou a de menina tímida? O que deverá agradar mais esses senhores?  
Bem, melhor espiar o ambiente mais atentamente antes de me precipitar. Há muitos senhores de meia idade no salão, com seus cabelos brancos e rostos enrugados. As mulheres estão elegantes, a maioria trajando longos vestidos negros. Todas utilizando máscaras repletas de ouro ou joias... Pensando bem... Minha máscara é tão simplória... Não sei de quem foi a ideia de um baile de máscaras, assim tudo dificulta para mim! Não vejo as expressões das pessoas com clareza... E não reconheço previamente os moços dos senhores. Sinto-me soltar aos ventos suspiros de desagrado. Estou me entediando numa festa tão requintada?
- Poderia me dar á honra de uma dança?
Minh ’alma pulou do meu corpo e voltou! Olhei para o rapaz, jovem e loiro á minha frente. Sua mão estendida para minha direção e um sorriso acima de qualquer outro. Não sabia bem o que deveria fazer... Não sou muito boa em dança de salão! E se eu pisar no seu pé? E se eu... O fizer passar vergonha?
- Me desculpe milorde, não me sinto á vontade em dançar com alguém que nunca vi antes...
- Me perdoe – ele disse, voltando o braço para si e fechando o sorriso. Ele parecia desconcertado. – Que tal se observássemos a Lua neste noite tão estrelada, enquanto conversamos?
- Trata-se de um convite para que nos conheçamos melhor?
- Seria um prazer inestimável.

Ato II: E os vaga-lumes dançam...

Estávamos nos jardins da mansão. Os dois rindo e brincando como duas crianças. Corríamos pelos gramados e dávamos voltas pelas árvores frutíferas. Luzes verdes sumiam e surgiam periodicamente á nossa volta. Numa dança frenética, iluminando ainda mais aquele céu coberto por um manto de estrelas brilhantes.
Chegamos até um banco de concreto e sentamo-nos. Cansados, ríamos e respirávamos com dificuldades enquanto procurávamos descansar. Meu copo de vinho havia sido esquecido na mesa de doces, e dele só havia tomado um gole. Acho que foi o suficiente para deixar meu corpo quente.
- Qual seu nome, milorde?
- Hanzo. E o seu, milady?
- Me chamo Heather Sinclair. Filha do falecido chefe de polícia Arnold Sinclair, e da senhora de HouseVidel Anastásia Anne. Mas não me disse de qual família pertence, senhor Hanzo. – disparei, tomando fôlego enquanto me concentrava em tentar imaginar o rosto daquele misterioso homem, que estava coberto por uma máscara negra.
- Sou apenas Hanzo, milady, um humilde ferreiro. – respondeu ele, me encarando firmemente.
Abaixei de leve meu olhar, observando as flores do chão que coloriam fantasticamente o gramado do jardim. Estava tentando entender como um humilde ferreiro poderia fazer parte do baile de gala da sociedade londrina.
- Algum problema, milady? – perguntou ele repentinamente, estranhando minha reação.
- Perdoe-me milorde, mas se não pertence á nenhuma família renomada, como pode estar em uma festa tão conceitual?
Ele mudou seu olhar curioso para surpreso. Estava me encarando de uma forma pouco convencional, e parecia não entender minha pergunta.
- Me desculpe, mas... Onde disse que estamos milady?
- No Baile Anual da família Hoster. Onde a sociedade londrina se reúne.
- Sinto muito, mas acho que não prestou atenção ao seu redor, milady.
Estava confusa. Aquele sujeito estaria tentando me fazer de tola?
- O que quer dizer com isso, milorde?
- De verdade ainda não notou? Mesmo?
- Não notei o que, milorde? – respondi nervosa, apressada, irritada.
Ele suspirou profundamente. Parecia triste, com pena! Pena de mim? Por que ele estaria sentindo pena de mim?
- Me desculpe milorde, ainda não entendi sua indignação.
- Deveria voltar para o salão milady. Eu preciso me apressar em ir agora.
Encarei-o desacreditada. A cada palavra ele se tornava mais louco, insano. Ele olhava irritado para o relógio de bolso... Seu olhar me deixou arrepiada. Sentia intensos calafrios tomarem conta do meu corpo e decidi que era melhor voltar ao salão. Provavelmente este era um penetra e sabe-se lá o que poderia fazer com uma moça desprotegida.
- Espere milady, antes de voltar, preciso contar-lhe algo importante.
Ele guardou o relógio e me olhou, duramente. O medo tomou conta do meu corpo. Ele estava diferente, assustador. Meu Deus o que faria comigo? As lágrimas começavam a querer descer, mas eu lutei contra elas. Era melhor fazer como meu pai me ensinara: Não se deixe levar pelo medo. Fique calma e pense nas possibilidades. E foi o que eu fiz. Resolvi manter-me calma e entrar no jogo do maluco.
- Algo milorde? O que poderia ser?
- Acho que não sabe onde se meteu milady...
Oh não. Palavras chave de um assassino, posso ver pelo olhar rígido que lança sobre mim. Não tenho muita escolha, só uma oportunidade... E irei agarrá-la agora!

Ato III: A morte tem cheiro de vinho tinto.

Empurrei-o com toda força que pude reunir. Enquanto o via cair no chão assustado, corri para dentro do salão o mais rápido que pude. Não sei como pude me deixar levar e me afastei tanto da mansão! Parecia que nunca iria conseguir chegar a tempo no lugar. Mas para minha surpresa, quando olhei para trás não encontrei em minha visão nenhum perseguidor. Era estranho, ou talvez sorte! Deus estava ao meu lado!
Entrei ofegante no salão, onde todos ainda dançavam e riam divertidamente. Minha respiração era falha e eu apenas queria gritar sobre um assassino que tentara me atacar. Mas minha voz não saia... E meu corpo estava exausto. Parecia que tudo ia escurecer e acabar ali mesmo. As vozes estavam ficando mais fracas, e eu não conseguia mais distinguir os rostos... As pessoas estavam ficando distorcidas e eu aos poucos perdi as cores. Tudo ficou preto, escuro, solitário.
- Isto é tão impossível! Ela está morta, como poderia morrer depois da morte?
Eu ouvi uma senhora gritar surpresa. Ela parecia estar perto, mas eu não conseguia entender as palavras... Quem estava morta? O assassino havia feito alguma vítima? Deus, eu deveria ter avisado sobre ele!
Aos poucos, minha visão estava completamente de volta, assim como os sons. Havia uma roda em minha volta de pessoas surpresas, me encarando sem suas máscaras.
Agora eu podia ver claramente quem era quem, mas... Não conseguia reconhecer ninguém. Não eram pessoas da alta classe... Mas estavam todos bem vestidos e usufruindo de joias e sapatos caros! Se não eram da alta classe quem seriam?
- Quem... São vocês? – disse baixinho, ainda sem entender a situação.
- Ela deve ser louca. – disse uma voz masculina ao longe.
- Calma querida... – desta vez, quem falou foi uma senhora idosa, muito calma e com um sorriso largo no rosto – Tome um pouco de vinho para se recompor.
Eu me sentei no chão. Até então estava deitada. Peguei a taça de vinho da mão dela, mas ainda estava confusa com a situação.
- Por favor, onde eu estou? – perguntei.
- Ora onde. Está morta! – respondeu um senhor rabugento, que estava ao lado da senhora.
- Cale-se Clyde, não vê que a mocinha ainda não havia percebido? – esbravejou ela, nervosa.
- Do que estão falando? Eu estou viva! Depois eu que estou louca? – perguntei irritada. Era óbvio que não queriam me dizer onde eu estava.
- Meu bem, pense bem – disse a senhora – se lembra de ter se arrumado para esta festa? Ou de ter recebido um convite? Ou mesmo de ter vindo?
- É claro que recebi um convite! – esbravejei – Recebi-o ontem!
A senhora suspirou, decepcionada.
- Mas o que diabos estão falando para minha filha? – gritou um senhor, que entrou no salão acompanhado de dois homens.
Meu olhar voltou-se para ele rapidamente, pois sua voz me era familiar... E quando o olhei atentamente... Não podia ser! Era... Era meu pai? Meu pai?

A taça de vinho que eu segurava caiu de minhas mãos e manchou meu vestido de vermelho. O cheiro de uva se espalhou pelo salão e todos fixaram o olhar em mim. Olhei em volta e todos pareciam estar sentindo pena de mim! Pena como o assassino! Mas agora isso não me importava. Como meu pai morto poderia estar á minha frente?
Meu olhar encontrou meu vestido que parecia sangrar vinho tinto. Estava tudo tão vermelho... Tão...

“-É tudo culpa sua! Sua meretriz maldita!- gritava uma mulher louca, de longos cabelos cacheados e pele tão branca como as margaridas do nosso jardim – Você não merece a felicidade, não merece encontrar o amor e não merece ser mais jovem que eu!”
Eu não reconhecia o seu rosto... Não conseguia ver claramente no primeiro momento. Lembro-me da sensação de tristeza que invadia meu corpo. Foi quando aos poucos, a sua imagem foi ficando mais nítida, e reconheci no rosto distorcido de raiva minha mãe. Minha querida mãe Anastasia.
Não houve tempo para discussões. Lembro-me apenas de sentir uma dor imensurável... Uma dor além da dor da faca que perfurava minha barriga e cortava meu rim. A dor de ser odiada pela mulher que mais amei na vida, e que só queria dar orgulho...

As lágrimas escorriam descontroladas pelo meu rosto. Soluçava alto, intensamente! O sangue escorria pelo meu corpo todo, minha visão estava se fechando... O rosto de minha mãe rindo enquanto me via cair... Aquelas lembranças dolorosas foram retornando como uma torrente de água fria.
- Eu estou morta, afinal?
Meu pai se aproximou de mim, abaixou-se ao meu lado e acariciou meu rosto:
- Meu amor, você não está morta exatamente. Apenas cumpriu sua pena no purgatório. Saiu do inferno que era a vida para viver a verdadeira vida. Estamos entrando num universo acima de tudo o que você já imaginou. Estamos prestes á encontrar mares de estrelas, campos de água salgada... Estrelas mais coloridas que qualquer arco-íris! Meu amor, estamos entrando no paraíso, e esta festa foi seu convite.
- Mas... E mamãe?
- Sua mãe – suspirou ele, triste – esta não poderá entrar neste universo. Mas esqueça sobre ela e tudo o que viveu naquela vida de mentira. Venha comigo princesa. Vou te apresentar ás maiores aventuras que alguém já viveu! E seremos mais felizes que qualquer outra pessoa no universo inteiro!
Ele estendeu sua mão para mim, com aquele mesmo sorriso terno de sempre...
Peguei sua mão, ainda receosa, e todos no salão nos aplaudiram! Estava pronta para deixar minhas frustrações e embarcar na verdadeira felicidade.

Esta história é a visão da morte de um jeito diferente... Desculpem os erros de português x.x
Como sabem, escrevi realmente esta história em meia hora. Resolvi assim, do nada haha'. Por isso ela deve estar confusa e sem muita coesão. Mas enfim, espero que gostem!

3 comentários :

  1. Fiquei super curiosa com alguns pontos da história, deveria continuar. Gostei muito e coloquei uma música celta por traz, que me fez entrar profundamente na história. Parabéns =)!
    http://sabrinaikeda.blogspot.com.br/

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  2. Gente e você diz ainda que está sem criatividade, Ficou ótima demais essa história, Vai ter continuação né ?, Que se tiver continuação que seja breve hahaha, Ameei o Blog, Já estou seguindo seu cantinho <3, Beeijão e Fique com Deus :)

    http://coisas-milly.blogspot.com/

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  3. Merma eu amei <3 de verdadão hahaha devi/deve! voltar a escrever, e pelo que vejo vou gostar muito das suas historias, amo uma boa tragédia :3

    http://pequenamiia.blogspot.com.br/

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