26 maio 2014

Um conto de inverno


Vamos lá, resolvi postar um conto que escrevi agora mesmo rs' para a querida Sabrina Ikeda que está promovendo um concurso cultural no blog dela super fofo, onde você manda seus talentos e ela posta ;p claro que eu não tenho muito talento mas ela me convenceu a participar e aqui estou eu com uma historinha mega fofinha pra vocês weeeee o/ confiram u.ú




Eu e o Job estávamos voltando da escola quando decidimos passar a tarde vendo TV e comendo pipoca. Era frio, fazia menos de 5º e estávamos enrolados nas cobertas de casa.
Sempre fomos amigos, desde o ginásio. Bem, pelo menos, desde quado ele me salvou. Me lembro de uma tarde turbulenta de outono, quando eu estava ainda na 8º série. Fazia pouco frio, e todos estávamos lanchando, pois era hora do intervalo... Eu comia sozinha como sempre, pois sempre tive dificuldades de fazer amigos. Mas isso não impedia que as pessoas falassem comigo, geralmente para me insultar, claro. Mas honestamente eu nunca liguei, já estava acostumada com xingamentos porque passei o verão todo vendo a novela que era o divórcio dos meus pais. O problema, é que naquele dia as coisas pioraram pro meu lado. Quando as crianças me xingaram no intervalo, eu resolvi revidar. Sabe, eu me enchi de coragem depois de ver "as meninas super poderosas" na TV e queria testar se poderia ser forte como a Lindinha.  Foi então que todos ao meu redor se calaram e ficaram me olhando espantados, como se eu fosse coisa de outro mundo. Achei que iria me livrar dos problemas aquele dia porque, finalmente eu mostrei que não merecia ser insultada. De qualquer modo, o garoto que eu xinguei de volta gritou para todos ouvirem que iria me pegar na saída, e saiu correndo. Balela. Ele só estava chateado porque a garota-escrota respondeu uma piada dele.

A aula havia acabado, então recolhi minhas coisas e saí cabisbaixa como sempre do colégio. Caminhava em passos rápidos para o ponto de ônibus porque estava faminta e queria muito almoçar. Infelizmente, não foi possível comer o macarrão com molho de tomate e salsicha fresca. Minha boca estava tão dolorida que eu não aguentava nem dar risadas. Isso porque doze garotos (isso mesmo, DOZE) que eram da minha sala, se reuniram para dar uma lição em mim. Foi uma pancadaria só, ainda mais porque um deles me segurou. Eu nem podia me defender e recebi muitos golpes no estômago... Um deles, que estava segurando uma pedra na mão, e ria descontroladamente enquanto seus amigos me batia, atacou a pedra contra meu rosto, e acertou meu olho esquerdo. Ele sangrou muito mas não o suficiente para lesionar, apenas para deixar uma singela cicatriz bem clarinha que me faz morrer de vergonha até hoje. Enfim. Durante todo o quebra pau, onde eu nem sequer conseguia gritar por falta de ar, um garoto surge com um pedaço de pau cheio de pregos e resolve acabar com a festa dos meninos malvados. Ele acertou alguns deles com tanta força que com certeza arrancou bastante sangue. Me lembro de ouvir xingamentos e ameaças por parte deles, mas o garoto herói não se abateu e disse que iria matar todos com tétano se não me deixassem em paz! Me lembro de ouvir risos, chacota e um pouco de gargalhadas. Mas nada disso amedrontou o garoto herói. Não me lembro bem como todos foram embora, porque eu estava deitada no chão, cuspindo um pouco de sangue do corte de minha boca e tentando respirar sem sentir que meu estômago iria saltar pra fora.

Mas de uma coisa eu me lembro. Do gosto da água que o menino me ofereceu depois da briga, do seu sorriso encantador e do seu corpo musculoso. Eu senti que era, porque ele me ajudou a levantar e perguntou se eu estava bem. Ainda em choque, perguntei aos berros por que ele me ajudou. E ele me respondeu ainda mais surpreso: "Você não faria o mesmo por mim?".

Desde então viramos amigos. Voltamos do colégio juntos todos os dias, lanchamos no intervalo e damos abraços apertados antes de cada um ir pra sua respectiva sala.
Eu conheço tão bem sua família quanto ele conhece a minha, e vivemos um na casa do outro.
Por isso, não é estranho imaginar que ele fique aqui na minha casa por tanto tempo, ou que tenha dormido enquanto assistimos TV e comemos pipoca.

Lá fora está frio, e o inverno me traz lembranças ruins. Isso porque foi no frio que as piores agressões contra mim ocorreram e porque foi no frio que meus pais definitivamente se separaram. Foi no frio que descobri que meu pai havia fugido com a secretária e nos deixado pra trás...

Mas também foi no frio que o garoto herói me salvou e sorriu para mim. Foi no frio que ele me emprestou seu casaco de educação física para que eu me aquecesse... Então o inverno também é o momento mais feliz do ano para mim...
─ Só você sabe como aquecer meu coração, menino herói. Eu disse, enquanto acariciava seus cabelos negros caindo na pálida testa. Juro que vi um breve sorriso aparecendo em seus lábios...
Mas eu não tenho certeza se ele sorriu para mim ou para um sonho feliz... A única certeza que eu tenho, é que meu amor por ele durará todos os invernos de minha vida.

3 comentários :

  1. Oie amore, eu adorei o conto =).
    Me encaminha por email, junto com um pequeno texto sobre você e suas redes sociais que você queira divulgar.
    sabrinasaeki@hotmail.com
    vai demorar um pouco para ir ao ar, pois estou postando de 15 em 15 dias, e estou respeitando os emails que chegaram tb. Obrigada por participar do projeto -).
    http://sabrinaikeda.blogspot.com.br/

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  2. Gente que texto maravilhoso, Amei demais <3.

    Beijos, Milly.

    http://coisas-milly.blogspot.com.br/

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