23 junho 2014

Conto de fadas: A porta do coração



Faz tanto tempo que não posto um conto de fadas aqui que nem lembrava mais haha. Por isso, trouxe um conto super diferente e pouco conhecido pra vocês!

A porta do coração

Era uma vez um moço chamado Severi que decidiu correr mundo para fazer fortuna. Depois de escalar altas montanhas, percorrer extensos vales e atravessar matas escuras, ele foi ter uma praia, onde encontrou um pequeno barco. Sem pensar duas vezes, entrou no barco e partiu.

Quando estava em alto-mar, uma tempestade violenta desabou do céu escuro, levantando ondas do tamanho de uma casa, que lhe viraram o barco. Sem se amendrontar, Severi se pôs a nadar noite e dia, até que chegou a uma praia branca, situada no sopé de um penhasco negro.

Subiu o penhasco e lá em cima encontrou um caminho que o levou para o interior da rocha. Uma porta de ouro se abriu de repente, e ele entrou num mundo mágico de prados verdes, flores belíssimas e árvores carregadas de frutos dourados.

Estava contemplando aquelas maravilhas, quando um homem de longos cabelos brancos surgiu na sua frente e falou: “Diga-me como você se chama e para onde vai”.

“Chamo-me Severi, mas não sei para onde vou”, o jovem respondeu.
“Então fique aqui, trabalhando para mim”.

O rapaz aceitou a proposta e se instalou no castelo de cobre.

Na manhã seguinte o velho anunciou que precisava fazer uma longa viagem e lhe entregou um molho de chaves. “Pode abrir todos os aposentos, menos o vigésimo quarto”, declarou. “Se entrar lá, terá que arcar com as consequências”.

Assim que se viu sozinho, Severi tratou de explorar o imenso castelo. A cada porta que abria, deslumbrava-se ao se deparar com aposentos inteiros de ouro, de prata , de ébano, de mármore. Contudo, depois que os viu, ficou triste. “Não tenho mais nada para fazer aqui ...”, suspirou. “É melhor eu ir dormir logo para acordar cedo e voltar para casa”.

No entanto, ao despertar no dia seguinte, constatou que tinha na mão a vigésima quarta chave. “Isto é um sinal de que devo abrir a última porta”, pensou, disposto a arcar com as consequências.

Quando entrou no aposento proibido, viu-se diante de uma linda jovem, sentada num trono de ouro. “Quem é você?”, perguntou-lhe, extasiado com sua beleza.

“Meu nome é Vappu, e há muito tempo estou à sua espera”, ela respondeu numa voz cristalina que percorreu o espaço como suaves arpejos.

Durante um mês os dois jovens viveram felizes no castelo de cobre, sem se preocupar com nada, namorando junto ao riacho de prata e saboreando os frutos dourados que pendiam das árvores.

Um dia Severi adormeceu à margem do regato e, quando acordou, não encontrou Vappu. Procurou-a por toda a propriedade, chamou-a, desesperado, e só os pássaros que gorjeavam no jardim lhe responderam.

Estava chorando, num desconsolo sem fim, quando o velho retornou da viagem e lhe disse: “Eu avisei que não deveria abrir aquela porta”.

Tocado em seus brios, Severi enxugou as lágrimas e replicou: “Ora, sou homem o bastante para fazer minhas próprias escolhas”.

“E, agora que as fez, acha que se tornou mais sábio?”.

“O sofrimento me tornou mais velho e, por conseguinte, mais sábio”.

Ao ouvir suas palavras sensatas, o velho murmurou uma fórmula mágica, e Vappu reapareceu, radiante como o sol.

“Nunca mais me deixe”, o rapaz lhe pediu.
“Para isso você terá que se esconder de tal modo que eu não consiga achá-lo”, a moça respondeu. “Dou-lhe três chances”.

Ele não sabia como haveria de realizar tal façanha, pois Vappu era muito esperta, porém o velho lhe ensinou uma receita infalível.

Severi se escondeu primeiramente entre os coelhos da mata e depois entre os ursos selvagens, mas nos dois lugares a jovem o encontrou. Então ele resolveu se esconder no coração da amada, dizendo: “Três vezes bato em sua porta, coração querido. Deixe-me entrar, deixe-me entrar ...”.

“É estranho ...”, murmurou Vappu, olhando em torno. “Há um minuto ele estava aqui, a meu lado, e agora desapareceu ...”.

“Não está conseguindo me encontrar?”, o rapaz perguntou.
“Não ... Onde você está?”
“Aqui, em seu coração ...”
“Então meu coração lhe pertence”, ela declarou.

Severi não precisou ouvir mais nada para sair do esconderijo e abraçá-la. E a partir desse dia os jovens enamorados viveram felizes no castelo de cobre do velho misterioso, as margens do riacho de prata, entre as árvores de frutos dourados.

2 comentários :

  1. Gostei do conto, não sei, me lembrou a história que Sara conta para as internas no filme A princesinha, acho que é em função dos nomes, tem algo de indiano, pelo menos a sonoridade me remeteu a India.
    Um abraço e obrigada pela visita, volte sempre o/

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  2. Amei o texto :-

    Aliás, amei o seu blog viu ? Super cheio de conteúdo e mega fofo. Parabéns <3 Você escreve super bem e é uma linda haha. Já estou seguindo aqui, vou voltar mais vezes com certeza :)
    Parabéns novamente guria :))

    http://www.1001julietas.blogspot.com.br/

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