11 julho 2014

O mundo dá voltas...



Me lembro que no colégio, eu sempre fui a garota estranha. Aquela que não tinha muitos amigos. Aquela que se vestia diferente e que não socializava. Me lembro, que existia aqueles grupinhos de meninas supeeer populares e bonitas, com corpo escultural que fazia os garotos delirarem. Elas tinham bunda, peito, coxa. E eu? Ai coitada, magrela, sem peito nem auto estima. Enquanto elas abusavam das roupas coladas, de festas e ficavam com um menino por semana, eu me concentrava nos estudos (ou não), em ficar com os meus amigos, em ler livros. Aliás, eu era viciada em ler. Adorava passar as tardes lendo... Enquanto a galera saia para a balada e iam ao boliche ou mc donalds com o povão da sala. Eu? Magina, de vez em quando ia no cinema com meus poucos amigos e acreditem: nos divertíamos tanto, mas taaanto mesmo sem garotos para a gente beijar ou roupas sexys para atrair olhares. Éramos apenas nós: amigos rindo, zoando e esquecendo do mundo ao redor. Me lembro, que éramos motivo de chacota, ou pelo menos, zoação de vez em quando. Comigo o povo não se criava: eu sempre tinha uma resposta ácida na ponta da língua... Ou simplesmente ignorava o que eles diziam. Era como se eles nem existissem para mim. Mas eu via como alguns dos meus amigos sentiam uma certa inveja do estilo de vida deles. Não é para menos não é? Eles eram conhecidos, estavam sempre armando confusões, participando de jogos de interclasse, viajando juntos ou saindo. E nós? Tínhamos que esperar o mês para sairmos juntos, nunca éramos motivo de desejo do sexo oposto (ou não tão oposto rs) e sempre estávamos excluídos das atividades da classe. Ah tempo ruim! Estávamos passando pela adolescência, nosso corpo mudando e ainda por cima tínhamos de lidar com essas exclusões. Mas aí o tempo passou, e passou e passou: eu percebi que meu corpo finalmente mudou. Por incrível que pareça, demorou até meus sofridos 18 anos para eu ver uma mudança mais significativa: finalmente a pessoa criou peitos galera, soltem os fogos de artifício. A espera valeu á pena. Me senti ficar mais encorpada também. Meu cabelo não era mais tão feio e meu estilo de roupa se ajustou. Aprendi á me maquiar... Comecei a me tornar mais vaidosa: usar perfumes além dos tradicionais e únicos cremes hidratantes corporais. Comecei a arrumar mais meu cabelo (valeu pela chapinha, galera). E aí, adicionei a galera do colégio no facebook. Ok, alguns ainda vivem o lado pop da vida. Mas a maioria? Xi. Coitados, agora o corpo das meninas que antes eram encorpados, ficaram desajeitados, elas não mantiveram uma dieta e muitas estão acima do peso (não que isso seja de fato um problema, eu acho muitas meninas gordinhas lindas de morrer, mas eu imagino que elas não aceitaram a nova condição, já que ainda usam mini blusas só que, agora, a banha pula para fora da roupa...) Muitas que antes me zuavam pelo aparelho dentário que eu usava, agora usam também. E sabem como é não querer sorrir para tirar fotos e devem sentir o quão é ruim todo mundo ficar falando: porque você não dá um sorriso paras as fotos, é vergonha? E também, muitos estão ralando trabalhando, tentando se formar em faculdades medíocres. Muitos estão além disso, sentindo o preço de não ter dado atenção necessária á escola quando deveriam. Algumas meninas populares da época, estão tendo filhos não planejados (algumas tiveram até mesmo na época da escola) e devem estar arrependidos de iniciar a vida sexual tão cedo, sem a responsabilidade certa. Muitos estão casando porque devem casar... Estão deixando um futuro melhor remunerado escapar pelas mãos. Agora eles são os fracassados, enquanto nós, os estranhos, estamos vivendo finalmente as festas, o corpo legal, os namoros mais sérios e equilibrados, viagens, saídas de final de semana, empregos legais ou faculdade... Coisas que eles viveram irresponsavelmente na adolescência. Sinto pena deles. Sinto pena da breve vida que tiveram e deixaram escapar por burrice. Por terem sidos ruins com pessoas que hoje podem ser os patrões deles, por terem excluído pessoas que poderiam dar lições de vida ou pelo menos conselhos melhores que os amigos pops e loucos deles. Enfim, agora eles pagam o preço por terem simplesmente vivido e se divertido, porém sem receios e não se importando de passar por cima dos outros. Esse é o preço, de terem sido quem eram e de agora, estarem experimentando o outro lado da vida. Não digo que estou feliz, mas sim, impressionada.


6 comentários :

  1. Algo que sempre falo para quem é jovenzinho, não pula etapas da vida...
    Não te conheci nessa outra época mas aposto que era tão linda quanto agora pq cada fase tem sua beleza, o bom é que sempre podemos melhorar...
    Um abraço o/

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  2. Eu acho que tudo tem seu tempo. Essas pessoas populares, tiram sempre as notas baixas e se acham o máximo. Ameei o post, eu suuuper me identifiquei, Marina! E eu concordo com você, o mundo dá voltas!
    naquelesetembro.blogspot.com.br

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  3. Viver sem responsabilidade nunca é uma boa ideia, em qualquer fase da vida...
    Mas, na adolescência, então... pode ser um desastre bem grande mesmo!
    Bom texto!
    Bjs, Lu
    http://resenhasdalu.blogspot.com.br/

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  4. Somos muito parecidas nisso, eu era bem isolada tbm.. eu era excluida das turmas e grupos, rs mas hoje percebo que tenho agradecer a eles, pois sou o que sou hoje sem eles ^^

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  5. Eu também era excluída, mas no ensino médio troquei de escola e continuei excluída por opção. Não gostava do jeito dos grupinhos das meninas populares e nem me interessava pelos garotos idiotas. Sempre fui gordinha e as pessoas ficavam zuando com a minha cara. Depois de um tempo parei de me importar. Quando perceberam que eu manjava do inglês, era caprichosa com os trabalhos e me esforçavam, tentaram me incluir no grupo apenas por interesse. Recusei e fui feliz.
    Hoje em dia tenho algumas pessoas dessa época adicionadas no Facebook e vejo o quão idiotas se tornaram (ou continuaram, ne). Não consigo sentir pena delas, por que elas mesmas causaram isso.
    Enfim, cada um colhe o que plantou né.

    [N]ayh's Wonderland

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  6. Como a Nayh comentou aqui em cima, "cada um colhe o que plantou".
    Simples assim.
    Um dia a gente percebe que a vida é muito maior do que a época do colégio, sabe? E o que conta é o que nos tornamos depois que essa fase passa.

    Beijos,
    www.miragemreal.com

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