07 janeiro 2015

A pobretona que virou Rainha


Uma leitora muito querida, disse que sentia falta dos contos de fadas que eu postava no blog. Então, eu resolvi trazer mais uma história muito linda, que eu gosto muito. Espero que gostem tanto quanto eu.


Um camponês e sua filha moravam num casebre e cultivavam terras que nem sequer lhes pertenciam. “Você devia ir pedir ao rei um pedaço de chão para nós”, disse-lhe a moça. “Sozinho eu não vou”, o velho falava.

Após muita discussão, os dois partiram juntos para o palácio real. Ou porque ficou com pena do camponês, ou porque se impressionou com o brilho nos olhos da pobretona, o rei atendeu seu pedido.

Pai e filha viviam felizes em sua pequena propriedade, até o dia em que, cavando a terra, encontraram um pilão de ouro. “Vou levar para o rei”, o camponês declarou. “Nao faça isso, pois ele vai querer também o socador, e não temos como achá-lo”, a moça ponderou sensatamente.

“Que nada! Ele há de se contentar com o pilão …”, o velho respondeu, enganando-se redondamente, pois o monarca fez um escândalo, acusou-o de ter roubado o socador e mandou prendê-lo.

Dois dias depois o carcereiro procurou o rei e lhe implorou que libertasse o camponês. “Não aguento mais tanta choradeira!”, explicou. “Ele passa o tempo todo repetindo: ‘Ah, se eu tivesse escutado o que minha filha dizia…’. É um terror, Majestade!”

Intrigado, o soberano chamou o prisioneiro e lhe perguntou qual era o sentido daquela lamúria constante. Satisfeito com a explicação, ordenou ao velho: “Vá para casa e mande-me sua filha”.

Quando novamente se deparou com a moça de olhos brilhantes, resolveu testá-la para verificar se era tão inteligente quanto parecia: “Volte aqui amanhã nem vestida nem nua, nem caminhando nem sendo carregada!”.

Esperava-a no dia seguinte, quando escutou o zurro distante de um jumento. Correu para a porta e ao fim de alguns minutos viu o animal entrar no jardim do palácio, puxando um emaranhado de redes de pescar. A filha do camponês manejava as rédeas. Ela não caminhava e tampouco era carregada, pois se postara sobre as redes que o jumento arrastava pelo chao. Não vestia roupa nenhuma e tampouco estava nua, pois se envolvera em varias redes.

“Essa é a noiva com que sempre sonhei”, o rei exclamou. “Quer se casar comigo?”. A moça aceitou o pedido, e o casamento se realizou naquela mesma semana.

Os noivos ainda celebravam sua união, quando dois camponêses procuraram o soberano para expôr-lhe um problema. Um deles, chamado John, conduz um cavalo e uma égua; o outro, chamado Tom, conduzia um touro, uma vaca e um potro.

“Majestade, o potro é meu, filho de minha égua e de meu cavalo”, disse John. “Acontece que ele passou a cerca e foi lá para a casa desse ladrão, que agora não quer devolver o que me pretence!”.

“Ora, Majestade, é claro que o potrinho é filho de meu touro e de minha vaca”, disse Tom. “O senhor não vê como se querem bem?”

“De fato”, respondeu o rei, que, não sabendo distinguir um potro de um bezerro, deu ganho de causa a Tom.

Incomodado com a injustiça, John pediu ajuda a rainha, que, além de inteligente e sensata, era filha de um camponês igual a ele.

No dia seguinte, ao sair para sua caminhada, o monarca encontrou John ajoelhado no chão, estendendo uma rede e perguntou-lhe o que ia fazer. “Vou pescar”, o homem respondeu, com naturalidade.

“E espera pegar muitos peixes?”, disse o rei, rindo de tamanho absurdo. “Não, Majestade … Só espero pegar tantos peixes quantos forem os potros que um touro e uma vaca conseguirem por no mundo … “

“Que desaforo!”, o soberano esbravejou, trocando o sorriso por uma carranca furiosa. “Quem mandou você fazer isso?”

Ao saber que a idéia toda partira de sua esposa, o rei voltou ao palácio e foi direto para o quarto da rainha. “Já que você prefere ajudar os caipiras de sua laia a cumprir seus deveres de soberana, pegue sua trouxa e volte para a tapera onde nasceu!”, disse ele, sem rodeios. “No entanto, como tem sido uma boa esposa, pode levar daqui o que você mais gosta”, acrescentou após uma breve pausa.

Esforçando-se para não chorar, a rainha respondeu: “Como quiser, Majestade. Só lhe peço que almoce comigo uma última vez”.

Depois do almoço o rei acordou num lugar estranho, que julgou ser a cela de uma prisão. Assustado, chamou os lacaios, mas quem abriu a porta foi sua mulher. “Onde estou?”, ele perguntou.

“Na tapera onde nasci”, ela respondeu. “Você não falou que eu podia trazer o que mais gostasse? Eu trouxe você, adormecido pelo sonifero que coloquei em seu vinho …”

“Como fui bobo …”, o soberano murmurou, levantando-se para reconduzir ao palácio sua amada esposa, da qual nunca mais se separou em toda a sua longa vida.


9 comentários :

  1. Hahaha "Só espero pegar tantos peixes quantos forem os potros que um touro e uma vaca conseguirem por no mundo"

    Que conto mais fofinho. Amei. <3
    Senti falta de ler contos fantasiosos por aqui. *-*

    [N]ayh's Wonderland

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  2. Adorei ler seu conto! Foi muito inteligente e mostra boas lições.

    Beijos! ♥
    Laísa Guimarães | @laisagss | Youtube

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  3. Adoreiiiii. Sabia que ela ia fazer isso. Que lindooooo =D
    Não sabia que vc escrevia esses contos. Pode postar mais <3
    Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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    1. Não fui eu que escrevi esse, eu posto contos de fadas retirados de um livro, que eu ganhei quando era criança ^^

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  4. Gostei muito desse conto. Meio incomum, mas é legal mesmo assim!
    Beijos

    fotosefelicidades.blogspot.com

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  5. Muito interessante, não conhecia esse conto, vou ler para minhas filhas :)

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  6. ammei esse conto, haha bem diferente
    beijos http://www.blogdaxavier.com.br/

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  7. Gostei dessa moça. Tem atitude e é esperta. haha
    Muito bom o conto!

    Beijos, www.bloguntilwedie.com.br

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