18 março 2016

O Inferno de Marina

Ás vezes eu paro para pensar como deve ser o umbral que os espíritas tanto falam. Algo parecido como Blessed, a história que comecei a publicar ano passado e ainda não finalizei devido falta de tempo e inspiração. Mas quem leu (está com a tag blessed aqui no blog) os capítulos que postei, não sabem como essa história se encaixa e faz tanto sentido para mim agora.

Na minha cabeça, o inferno está longe do bíblico cenário carnavalesco que estamos acostumados: se trata de algo mais profundo... Como um castigo que nós mesmos nos damos. Sabe quando cometemos aquele pecado que não podemos nos perdoar? Aquela sensação de consciência pesada, aquela ideia de que "não prestamos", que fizemos algo imperdoável, que erramos num nível acima do normal ou que não podemos nos orgulhar de nós mesmos? Isso é o inferno. É ficar preso dentro do próprio coração e se achar o último dos seres humanos. É imaginar que não existe nada no mundo que possa remediar o mal que fizera, independente de pedir desculpas.

De boas intenções, o Inferno está cheio,
Não entendo outra forma de classificar o inferno. É ficar preso dentro de um limbo, onde nossos mais profundos arrependimentos se encontram.
Ás vezes imagino que se esse mundo é uma prova, eu não passarei com êxito, terei sorte se ficar de exame. Eu não roubo, não procuro magoar as pessoas e muito menos traio quem amo.
Mas existem muitas formas de errar.
Muitas formas de prejudicar.

Se deixar ludibriar por alguém que já tem alguém talvez? Ou não dar tanta atenção á uma pessoa que precisa mais que qualquer outra pessoa no mundo. Aquele leve egoísmo. Aquele leve: assim está bom, sendo que não está! Aquele leve: não tenho vontade de ser boa pra essa pessoa, farei apenas o suficiente. E mesmo com toda consciência não conseguir vencer o comodismo.

Isso é errar.
Isso é meio caminho andado pra entrar na porta do inferno.

O que se leva dessa vida, é a vida que se leva,
E que orgulho podemos tirar dessa vida? Desânimo, não se esforçar o máximo que poderia? Ah, tantas coisas. Sinto que preciso me dispor mais ás pessoas. Mas como? Por que é tão difícil? Por que?
Pensei nisso tudo, devido uma situação mega chata no trabalho. Imaginem uma pessoa casada dar em cima de você, dizer que sente um carinho, uma paixão que não sentira por mais ninguém em anos. Imagine você considerar essa pessoa sua amiga, gostar dela, trocar confidências, ser a única que confia no emprego.
Imagine então, que essa pessoa casada fique todos os dias tentando te tirar um beijo, um fôlego. Os olhares, as palavras. Alguém sedutor, alguém que pareça mesmo sentir algo além.
Agora veja que você tem seus princípios, que você acha repugnante a ideia de traição, que você prefere não fazer com os outros o que não queria que fizessem contigo. Aí vem aquela ludibriante melodia de: "não é errado por sua parte, eu que sou o errado, mas eu quero comprar esse risco".
Isso quase te convence, então você pensa: NÃO. Mas até chegar ao não, já percorrera um caminho perigoso, e deixara-se tropeçar por um instante. Isso, é mais que o suficiente pra te perturbar dia e noite. A conversa é séria, os pontos são acertados: a amizade fica, apenas isso.
No dia seguinte, achando que está tudo certo, que está em um bom emprego, com um amigo verdadeiro boa parte do tempo, se divertindo á risos e piadas o dia todo. Ao fim do dia, chama esse amigo para fazer algo que só tivera a oportunidade agora, saborear um prato que desde o ano passado espera ansiosa para provar. O amigo aceita. Minutos mais tarde, uma figura aparece, feminina. O amigo que até então parecia ser "honesto" até certo ponto, se transforma em outro e sem delongas troca sem avisos seu compromisso contigo para ir saborear os lábios da tal moça. Sim, você ali percebe duas coisas: 1- Ele não é, nunca foi e nunca será o seu amigo. Se ele trai a própria esposa, porque haveria de se importar com você e seus sentimentos?; 2- Você nunca foi "a única" ou "aquela que ele sentiu algo forte por isso arriscou-se fora do relacionamento". Foi só a trouxa que ele queria no palavreado claro, comer e por isso agiu como lorde.
A consciência pesa duas vezes. A primeira por se sentir enganada com tanta facilidade, sendo que não é tão inocente assim, não pode ser. A segunda, por ir contra seus princípios por alguém que não vale um tostão furado.


Como se perdoar? Como é esse processo? O tempo é a chave? Ou existem outras formas? Qual é o segredo de aprender com o erro, e parar de se culpar por ele e seguir em frente? Como ser menos doloroso? Como ser menos difícil? Como ser adulta? Ai, preciso de fato, aprender melhor como é esse mundo difícil. A vida era mais simples aos 12 anos.
(ps: o "delito" foi leve, não chegou nem perto do que o moço galante queria.)

6 comentários :

  1. Nossa, profundo. Me fez refletir. Ser adulta (ou tentar) é uma coisa tão complicada, eu tô levando muito na cara e aprendendo muito também. Eu acredito que uma saida é não se cobrar muito, pensar duas vezes antes de agir, ponderar mais. Espero que voce consiga encontrar suas respostas!!!

    beijo
    dicasdegarota.com

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    1. O triste é que sempre deixo as emoções vencerem x.x

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  2. Ual, viver é difícil, principalmente convivendo com um turbilhão de sentimentos e incertezas dentro de nós. As vezes conseguimos sermos fortes o suficiente e em outras precisamos cair para levantar. O que importa é o que aprendemos com isso e o que fazemos com o que aprendemos.
    Beijos
    http://www.charme-se.com/

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    1. Verdade, saber lidar com as quedas é importante :D

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  3. uau <3 bom viver é dificil, todos nós sabemos, o que importa é seguir em frente e não se render a bad vibes :3
    beijos

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